Por onde anda Gláucia Ferreira Heleno

   
Terça-feira, 7 Fevereiro, 2012 (Todo dia)
Nova-limense leva a cultura brasileira para a América
“Nada se compara ao calor humano do brasileiro”
Gláucia Heleno mora em Nova York há 24 anos
Gláucia Heleno mora em Nova York há 24 anos (Arquivo pessoal)

Dizem que o Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada. A nova-limense Gláucia Ferreira Heleno confirma: há 24 anos nos Estados Unidos, Gláucia trabalha promovendo shows de samba na terra do pop e conta do sucesso que essa gente bronzeada está fazendo nos palcos americanos.

Gláucia foi para os Estados Unidos aos 23 anos, mas o objetivo inicial era voltar para Nova Lima depois de cerca de dois anos. “Nessa idade nossa vontade de fazer descobertas está muito aflorada, então me mudei buscando uma aventura”, relembra. Mas alguns acontecimentos mudaram os planos de Gláucia, que acabou ficando de vez em Nova York. Lá ela conheceu o paulista Ivo Heleno, com quem se casou. “Primeiro fizemos uma cerimônia lá, depois aqui no Brasil”. Dessa união nasceu Jéssica Heleno, que hoje tem 18 anos.

Jéssica é dançarina e inclusive cursa Dança na faculdade. A adolescente é americana, mas dá aulas de samba numa academia de Nova York. Jéssica segue os passos da mãe, que trabalhou numa distribuidora de hambúrgueres e em outra de revistas antes de se tornar uma free-lancer de shows. “Os americanos gostam muito do samba. Eles querem aprender, aplaudem, valorizam nossas apresentações”. Gláucia conta que a maioria das apresentações que promove ainda é feita por brasileiros, mas que muitos artistas americanos já são adeptos do gênero. Porém ela assegura que a simpatia e receptividade do nosso povo ainda são inigualáveis. “Nada se compara ao calor humano do brasileiro. Não é que os americanos sejam frios, pelo contrário, são pessoas confiáveis e que também depositam confiança nos outros. É só uma questão cultural: fomos criados com essa alegria”, conta.

E é exatamente disso que Gláucia mais sente saudade. “Também sinto falta da liberdade que a gente tem e de conhecer as pessoas na rua. Fico muito emocionada quando vou à Nova Lima, porque os amigos sempre fazem festinhas para mim, querem me ver. Isso é maravilhoso”. Ela diz sentir falta das barraquinhas, das comidas, do ambiente e de beber uma cervejinha, já que em Nova York não é permitido o consumo de bebidas alcóolicas na rua.

Para tentar aplacar toda a saudade, Gláucia prefere vir em épocas diferentes em cada ano. “Mas ultimamente tenho gostado de levar meus amigos e minha família para Nova York, para também participarem da minha rotina, ficarem no meu cantinho”, conta. A nova-limense é filha de Alípia Ferreira e irmã de Mercês, Sueli e Ronaldo. Seu pai era conhecido na cidade como João Ferrão.

Gláucia diz que pretende voltar a morar em Nova Lima algum dia, mas acredita que isso ainda vá demorar um pouco. Para os nova-limenses, deixa um recado: “Independente do que aconteça no Brasil daqui para frente, espero que essa nossa receptividade, essa coisa gostosa do nosso povo, nunca acabe”. E a terra do Tio Sam reforça o pedido: Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros, que nós queremos sambar.

Reporter: Marcela Martins